A diversidade se tornou uma causa que tem ganhado força em vários setores da sociedade, inclusive no mundo corporativo.

Para atender a essa demanda que cresce no Brasil e no mundo, grandes empresas têm procurado se informar sobre o tema não só para responder a uma questão social pertinente, mas também para trazer novas visões e experiências, ou seja, a pluralidade no ambiente de trabalho.

Atenta a esse movimento a Converger realizou o Fórum Diversidade Inclusiva. Nesta primeira edição foram debatidos os desafios da inclusão das pessoas LGBTQI+ no mercado de trabalho. Segundo o diretor Carlos Paes, a iniciativa surgiu em função dos pedidos de grandes empresas no Brasil de conhecer o tema diversidade e inclusão da população LGBT. “É uma questão que as empresas infelizmente conhecem muito pouco”, explicou.

O debate ocorreu no dia 15 de outubro, na sede da Associação Grupo pela Vidda, no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes de recursos humanos de empresas de diferentes ramos de atuação, entre eles petróleo e gás, varejo, universidades e startups. Pessoas ligadas ao movimento da diversidade e da sociedade interessadas no tema também participaram do fórum.

A palestra foi conduzida pela presidente do Grupo pela Vidda, Maria Eduarda Aguiar, a primeira advogada transexual no Rio de Janeiro a carregar o nome que expressa a sua identidade de gênero na carteirinha da OAB, a Ordem de Advogados do Brasil.

Militante da luta por direitos da população LGBT, ela explicou ao público conceitos básicos sobre a questão de gênero, o uso do nome social, pontos polêmicos como banheiro para pessoas transexuais, transfobia e temas ligados a questões jurídicas.

Durante duas horas, Maria Eduarda respondeu a diversas dúvidas, desde como encontrar a população transexual para contratação, como promover treinamentos e formas de anunciar vagas de emprego.  A advogada também destacou a questão do preconceito e da baixa escolaridade da maioria das mulheres transexuais. “Tendo em vista a transfobia social e estrutural, como as empresas podem contribuir para mitigar essa falta de acesso oferecendo oportunidades de capacitação e inclusão no mercado de trabalho?”, questionou a advogada.

O resultado do fórum foi produtivo na avaliação de Carlos Paes. “Nós tivemos convites de várias empresas para estar presente nas ações de inclusão do grupo LGBT nas corporações”, destacou. Carlos Paes afirmou que a intenção é realizar esse debate sobre inclusão e diversidade a cada dois meses, o próximo já tem data marcada: 22 de janeiro de 2020.

 “Esse evento foi o primeiro passo, o ponta pé inicial para um movimento do Diversidade Inclusiva não só no Rio, mas em diversos estados, levando pessoas e empresas, instituições e principalmente pessoas do pilar da diversidade, seja LGBT, como a Maria Eduarda, como outros pilares da diversidade, da inclusão, como negros, mulheres, pessoas com deficiência, 50+, 40+, pra falar sobre esse assunto para o público”, afirmou.

Para a advogada Maria Eduarda Aguiar iniciativas como essa são necessárias para promover a equidade dentro do mercado de trabalho, porque o preconceito ainda exclui da população LGBT e de outros grupos marginalizados o direito ao emprego decente e qualificado.

“Temos que trabalhar para que o mercado veja pessoas LGBTI como profissionais sem qualquer diferença a outros profissionais, para que possam concorrer as vagas ao nível de igualdade com qualquer candidato, contudo, enquanto isso não ocorre entendo ser necessário ainda vagas específicas para LGBTS e pessoas trans”. Ela ainda ressaltou que para que pessoas LGBTQI tenham o direito de serem cidadãos plenos, “o emprego deve ser garantido a todos sem distinção de sexo, cor, orientação sexual ou identidade de gênero”.

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